segunda-feira, julho 25, 2005

o que eu fiz? o que eu faço? o que me resta fazer?*

tic... tac... tic... tac...
Não tou bem.
O que acontece comigo?
O que foi aquilo? Não aconteceu?
Aquela conversa, olhares, o beijo... o que são? onde ficam?
Sim, gostei de verdade... me apaixonei... mas isso não existe mais. Paixão? Gostar? Gostar e não ser gostado?
A gente tenta tirar resposta, a gente tenta, por mais que isso declare fragilidade, escancarar suas portas pra pessoa, dizer que gostou dela, morrendo de medo da resposta.
E que resposta? Desconversa, não diz nada, não deixa a dizer.
(...)
tic... tac... tic... tac...
O relógio da cozinha bate.
Não! Eu não vou mais voltar pra lá; não vou mais falar com ninguém. Chega de internet, nada mais importa. Pra uma coisa boa são cinquenta decepções. Amigos, esses sim, valem o esforço, mas nada mais parece ter sentido.
Por que acontece comigo?
Os outros têm amores perfeitos, acham pessoas especiais.
Será que não sobra uma pra mim?
(...)
Paixão? Gostar? Gostar e não ser gostado?
Isso não existe mais. Agora, não se apaixona; se olha, se beija, se vai. Te conheço? Não! Vc gosta de mim? Eu tb.
Legal.
Demais.
(...)
tic... tac... tic... tac...
Quem ouve (e é raro quem se dá ao trabalho) pensa: "que coitado, não consegue resolver coisas tão simples."
Mas eu pergunto:
O que aconteceu?
O que foi aquilo?
(...)
― Momento?
Sim, ele pode estar certo.
E posso estar errado sobre tudo isso.
Mas esse tipo de surpresa contrária não acontece comigo.
Eu não faço por merecer? O que sou? Por que não?
O que eu faço de errado?
O que há com elas?¹
¹Acho que depois que faz essa pergunta, você acaba fazendo a outra inevitável em seguida: "o que há comigo?" e descobre que não há nada de errado.
Acaba descobrindo que sua sina é a solidão. Eles têm, você não. Você já teve, ou pensou ter tido, mas não é capaz de ter novamente.
Perguntas e perguntas... ninguém sabe responder; e a única pessoa que sabe é aquela que você não pode e tem medo de perguntar.
tic... tac... tic... tac...
To começando a gostar desse som.
Estou enganado sobre tudo? Acho que não.
Milagre? Não se pode viver deles.
Sim...
― Esquece.
Ele tá certo. Dar as costas pra quem tomou conta do seu pensamento dias atrás. Será a melhor solução?
(...)
Sei que não, mas o que me resta? Implorar pra gostarem de mim?
Esquece.
tic... tac... tic... tac...


texto por andré orodeschi

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.