essas últimas semanas vinham sendo bem intensas, com doses cavalares de trabalho, álcool, viagens, ansiedade, pessoas e cigarros. depois dessa (des)carga emocional toda, tirei uns dias pra por a cabeça e o coração no lugar. e achei que tinha encontrado algumas respostas olhando pro céu da minha cidade natal, enquanto sentia o vento quente de uma tarde de sábado chicotear o quintal. eu, que sempre busquei a intensidade, nos últimos tempos prezei demais pela estabilidade, e os baques da vida fizeram com que as coisas fossem mais racionais, tornando a intensidade algo a ser temido. e olhando o sol se por, tão longe de casa, comecei a traçar planos, cenários, e encontrei um pouco de ordem em tudo que estava acontecendo. entendi também que haviam caminhos mais difíceis, outros inviáveis, e uma ânsia por viver que talvez não fosse a intensidade que eu gostaria de ter. resolvi me resguardar, certo de que isso me traria mais conforto. respirei fundo, encarei a velha ladeira que eu descia correndo na minha infância, e segui caminhando.
e agora, quando tudo parecia começar a tomar um contorno mais claro, quando o turbilhão em minha cabeça estava começando a cessar, as coisas tomaram outro rumo, e tudo pareceu girar pra longe do meu controle, enquanto eu tento juntar as peças de uma noite em que eu torci pra tudo dar errado, mas tudo acabou dando muito certo. e hoje, o olhar se esforça pra ter algum foco, enquanto a mente luta pra concatenar significados, olhares e sensações. mas acima de tudo, fica o gosto da surpresa.
porque às vezes, a gente encontra a intensidade procurada onde menos espera.
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