quinta-feira, setembro 08, 2022

num instante

hoje eu revivi alguns momentos do passado, onde uma pessoa próxima estava afundando em fugas por não conseguir lidar com a vida. nessa época eu me orgulhava de encarar a vida sóbrio, não importa o quão difícil fosse. até que vieram os antidepressivos, que me tiraram do buraco mas fecharam a escada dos andares superiores, tornando a vida um grande salão de espera.

hoje, me vejo tomando calmantes (fitoterápicos, diga-se de passagem), tomando cerveja toda semana, porque a pressão é tanta que o pouco de lazer que consigo encaixar na vida corrida, seja música, jogos, amigos ou rolês com a minha filha, não tem sido o suficiente pra evitar que eu surte. a ansiedade tem sido tanta que pela primeira vez em muitos anos, eu não consegui dormir por dias seguidos pensando em problemas no trabalho. e isso tem sido cada vez mais frequente.

sigo com o coração em manutenção, sigo com o emprego me enlouquecendo, sigo com o sono atrasado, sigo desejando que a música voltasse à frequência que foi em outros tempos, e sigo com a sensação de que a vida tem passado rápido demais.

o tempo entre ninar uma recém-nascida no peito e ouvir 'pai, meu dente tá mole' parece muito menor do que esses 6 anos que voaram. os três anos de relacionamento que parecem que acabaram ontem já me deixaram faz mais de um ano, e a pandemia que era pra durar alguns meses hoje já fez seu segundo aniversário, e segue imperceptível na rotina corrida. o medo se foi com a vacina, mas a vida segue estranha, como se a gente tivesse saído há poucos dias de 2019. queria muito saber onde esse tempo foi parar...


às vezes não admitimos
mas a vida humana é fuga
a procura eterna pela paz
engolida pela engrenagem da tristeza
como alguém pode julgar outra pessoa?

da sua fuga
para a minha
só muda a bula

angvstia - in droga we trust

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