segunda-feira, dezembro 20, 2021

dezembro de 2021

oi... tudo bem? espero que esteja.

não sei se você vai ler isso, na real não sei nem se você lembra que esse lugar aqui existe. mas tem vezes que eu preciso vir aqui desabafar, e não me sinto confortável de fazer isso em nenhum outro canal. porque falar sozinho ou com deus às vezes cansa, sabe, é preciso colocar pra fora de alguma forma, e não me sinto confortável em dividir isso com outras pessoas publicamente. e nesses últimos dias algumas coisas me voltaram com força, me fizeram refletir, lembrar, questionar, inclusive levei isso pra terapia hoje. 

do nada, nesses últimos dias, tenho pensado muito no nosso começo. lá atrás, quando percebemos a intensidade daquilo que a gente começava a sentir nos primeiros dias. nunca havia sentido nada parecido na vida, e até hoje isso reverbera de uma forma muito grande em mim. lembrei da descoberta, da antecipação do dia seguinte, enquanto a gente olhava um pro outro duas mesas pra frente sem acreditar direito no que estava acontecendo, do exato momento em que percebi que você era um caminho sem volta e da urgência que me fez me abrir de forma tão sincera contigo pra começar a nossa caminhada. sei que o começo foi turbulento, e o meio foi confuso por tantos motivos, mas sigo grato por aqueles dias que guardo com tanto carinho.

e nesses últimos tempos também voltei a sentir falta de umas coisas muito específicas dos nossos dias dividindo a vida. abraçar sua perna sentado no chuveiro enquanto você lavava o cabelo e contava sobre as coisas do seu trabalho, de ficar te olhando dormindo na varanda um pouco antes de você ir embora, das nossas noites deitados no sofá assistindo alguma coisa sem prestar muita atenção em nada além da gente, e de sentir o cheiro do seu cabelo na hora de dormir, abraçado contigo sentindo você repuxar as pernas quando pegava no sono. toda vez que essa falta bateu nos últimos meses, doeu menos, mas ainda dói. e isso me faz questionar muita coisa.

sabe, eu acho que você é o grande amor da minha vida. acho não, eu tenho certeza. porque não é imaginável que eu vá deixar de sentir isso, muito menos sentir algo que seja sequer comparável por outra pessoa. então tem sido um aprendizado diário ter que lidar com essa realização: eu já conheci o grande amor da minha vida e não fiquei com ela, e qualquer pessoa que venha a caminhar do meu lado no futuro não vai passar de um "foi quem apareceu depois", sabe? aquelas histórias que a gente ouve os velhos contando, "casei com a sua avó, tive filhos, netos e bisnetos, mas nunca esqueci o meu primeiro namorado, que foi o grande amor da minha vida". eu me tornarei essa pessoa um dia, acho.

e isso tudo ainda me faz lembrar de que eu não entendi até hoje porque as coisas aconteceram desse jeito, eu continuo nos momentos de frustração falando pra deus o quão injusto eu achei esse fim. porque tinha muito amor, tinha estrutura, tinha frequência, tinha vontade, tinha conversa, apesar de que nem tudo acabou sendo falado, e do nada tudo desmoronou, sem eu nem entender direito os porquês. lembro do que conversamos no nosso último fim de semana juntos, e me parecia tudo tão "consertável", sabe? tudo tão pequeno perto de anos de amor e cumplicidade. um monte de coisa que uns meses depois, com vacina, trabalho, e a vida "voltando" ao normal, simplesmente deixariam de ser um problema. e lembro da gente falar um pro outro, no dia que você partiu, de que não queríamos que acabasse assim, e o tanto de amor que existia. isso me quebra toda vez que eu lembro.

sei que houve muita coisa em você, com você mesma, que contribuiu pra isso tudo. sei que teve muito de mim que poderia ter sido diferente, e que se eu soubesse, tenha certeza, eu teria feito diferente. sei que é uma mistura de coisas, e que no final, as coisas aconteceram como precisavam acontecer. por isso a resignação, no fim das contas, de que a gente se perdeu um do outro, mesmo com tanta certeza de que era pra ser. porque tem coisa que eu ainda não entendo, e acho que nunca vou entender.

mas saiba que não passou um dia, nesses últimos 7 meses, em que eu não senti tua falta, em que não senti aquela certeza e propósito que sempre falamos, e que eu não tenha desejado que as coisas tivessem sido diferentes. algo dentro de mim ainda espera que seja.

te amo, pra sempre.

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