duas horas da manhã e o vento entrava cortante pela janela do sétimo andar esfriando ainda mais o corpo do garoto que tremia incessante em sua cama, gritando porquês e verdades que só faziam sentido para ele mesmo. as luzes lá fora pareciam se voltar contra seus olhos que já ardiam demais, e as lágrimas salgadas não paravam de aparecer.
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um telefone toca como que ensaiado, assutando o gato que deitava ao lado da estante. numas poucas palavras encontravam-se tanto seu remédio quanto seu veneno. e o mundo começara a girar...
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olhos fitavam atônitos um indivíduo vazio jogado num canto, dando murros na parede, acreditando que a dor física amenizaria o corte emocional feito em seu peito. "parece não adiantar", pensava o teto, "dessa vez as coisas foram longe demais".
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gotas de sangue e licor se misturavam no chão, tingindo o carpete com um toque pessoal de angústia.
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cinco e meia da manhã e o garoto desejava que o sol não nascesse, queria permanecer na escuridão, quem sabe até o fim do mundo não seria mais agradável. "quanto egoísmo...", pensou, enquanto se aproximava das grades... o silêncio da madrugada parecia crescer e o envolver.
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seis e meia da manhã, o barulho era interminável e parecia querer estourar sua cabeça por dentro. "fios, fios, malditos fios". de volta àquele teto estranho, ouvia contagens, puxava lembranças, enquanto a luz ia se tornando mais fraca.
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"dessa vez as coisas foram longe demais", disse. "oito e vinte da manhã".
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