sentia que os pés flutuavam levemente enquanto a cabeça girava
e a crisális vagava em meio à neblina vindo em meu caminho
negações me impediam de fugir da maldita espada incandescente
no fundo eu sonhava em não ter que cair sozinho
e segredos já batiam em ouvidos teimosos que foram
acostumados com mentiras prontas e a feracidade
de chagas e cicatrizes de longas batalhas feitas
a fim de acabar no leito, e poder alcançar aquela
paz já há muito esquecida, idealizada por muitos
mas no fim, nada existia além daquela pequena linha
marcada a ferro rubro, que na carne ardia ao percorrer
os pulsos sem forças
o sangue se misturava com o suor aflito de quem não tinha
escolhas a fazer ou sequer uma vida a viver
engrenagens se completavam mecânicas, mas a beleza
se perdera nos longos dias do passado
pouco a pouco, as moedas nos olhos faziam sentido
quando aqueles muros caíram e expuseram o ventre desprotegido
a lâmina não refletiria duas vezes antes de acariciar os lençóis
e tingir sua roupa com a marca da desistência
tudo escorria e as palavras já faltavam à boca
o ar parecia se solidificar, e ainda conseguia falar
"estou indo, está acabado" gritava por entre os fios
de tecido rasgado, "está acabado, eu sei, está acabado"
por fim, desceu a luz para buscar as lembranças perdidas no tempo
um sussurro correu pelo quarto, e o claro se tornava mais aconchegante
as sirenes tocavam alto mas já não importava, "estou livre depois de tudo"
e aquele que dançava entre os véus da casa pretoebranco se foi
o qual ansiava mais do que tudo descansar após fechadas as cortinas.
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