o cheiro da manhã me devolve da ficção
que as madrugadas me remetem e eu vou
para longe, longe, e sempre acabo perdendo
os limites entre o chão no qual bato a cara
e o céu que me traz flores com a cor vermelha
como sangue. fluindo como um rio, lágrimas
ou algo parecido, tonalidade saturada ou
luz demais, não sei se é algo da minha mente
ou realmente sangro, não sei nem se penso, se
estou dormindo. e quando um estalo faz pop na
madeira alaranjada acordo acordado ou será que
perdi de novo a noção? o caminhão e o ônibus ainda
sobem a rua pela décima quinta vez, mas pra eles não.
meus segundos que se tornaram mais longos do que de
costume e eu continuo navegando, remando, remando, mas
a porta bateu e o navio afundou. e o monitor resolveu
tomar forma de novo, pro meu desespero.
realmente, computadores me deprimem. madrugadas sem
sono também, principalmente quando elas amanhecem e
eu continuo com cara de nada na frente dessa tela.
(pelo menos dessa vez não é o teto.)
fui e voltei, mas ainda estou aqui.
fui e voltei.
fui e voltei.
fui e não voltei.
praonde?
viajeinaminhaprópriahistóriadenovo.
m e t i r a d a q u i
a realidade nem tá tão salgada assim.
and i'm glad to be back.
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