terça-feira, junho 07, 2005

hoje, mais uma vez

eu me encontro aqui, sem perceber o tempo passar (se passaram 2 horas e eu achando que havia olhado o relógio somente a 20 minutos) e as palavras dos discos entram em minha cabeça e me bombardeiam com realidade, aquela que fica me cutucando de vez em quando, pra me mostrar que nem sempre a gente sorri, nem sempre as coisas saem do jeito que a gente quer, que por mais que nossa felicidade não parece ter fim, uma hora ela acaba. seja lá o que for que a tire, você percebe que ainda está preso naquela vidinha na qual tijolos chamados tristeza te acertam de vez em quando. seus planos falham, sua visão entorta, suas lágrimas reaparecem como mágica e você se vê como a x meses atrás, quando você chorava por uma causa ou outra.
é incrível como a felicidade nos dá uma impressão de firmeza no chão. por menor que ela seja, qualquer pedaço dela te dá a impressão de que nunca ninguém nem nada vai te derrubar, e que a vida agora parece perfeita. será? será que não estamos apenas cegos pela temporária alegria que nos tomou, e esquecemos de perceber, mas nossos problemas ainda estão ali, espreitando? é, a gente não vê. fica feliz do mesmo jeito, e ignora tudo em volta, por mais crítica que a situação esteja. continuamos sorrindo e falando "foda-se, eu tou feliz".
mas então, alguma coisa que acontece te derruba, é uma porrada tão grande que além de nos tirar a felicidade, ainda faz a gente voltar a ver todos os outros problemas que nos cercam. seja ela minima ou não, a causa de nossa infelicidade parece que veio pra nos tirar de um trono no qual eramos reis do mundo, aquele quarto fechado onde ninguém ia te ferir. mas, a porta se escancara e ela entra, sinistra, e te joga pela janela, você cai, cai, cai, até dar de cara com o chão lá embaixo, aquele bem duro que a gente chama de realidade, sabe? então voltamos a ser nós mesmos, a ver a vida com os olhos que não enxergam só o lado bom da vida.
hoje novamente me encontro com a cara espatifada nesse chão, sentindo bem os antigos problemas e sentindo de novo na pele, finalmente, os cacos afiados do ladrilho que se partiu com a queda. sentindo, mais uma vez, a amarga, triste e pura realidade.

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