quarta-feira, junho 29, 2005

biiiiiiiiiiiiiiiiiiin

então quando eu olho, de novo dou de cara com essas paredes que me encaram nesses dias mortos de inverno. os corredores, de novo me dão a impressão de que tem quilômetros e mais quilômetros de largura, e fica a sensação de andar, andar, andar e nunca sair do lugar. tédio, tédio, cinza, preto, branco, aaaah, isso ainda vai me enlouquecer. esse triste semblante de rotina, corta, faz sangrar, faz chorar, ah, dá vontade de correr pra longe, pra um lugar colorido.
uma praia, o sol se pondo, árvores balançando, areia branca na companhia de uma pessoa especial. então, ela diz "e ae, o que faremos agora?". seu sorriso me encanta mais uma vez, então de mãos dadas caminhamos até a outra beira da praia. o sol beija nossos rostos e nos faz fechar os olhos. a sensação de arder a pele e sentir a brisa marinha batendo no corpo dá vontade de nunca mais sair desse sonho.

mas, é apenas i m a g i n a ç ã o.

o refrigerante desce pela garganta e me faz lembrar da realidade, as nuvens azuis lá fora brincam e me fazem lembrar que o sol está escondido. o quarto vazio me lembra que ela está longe. e o corredor cinza me lembra do silêncio catastrófico em que eu me encontro, onde soa alto e ensurdecedor o zumbido desse dia congelado.

a folha que caía da arvore parou no ar...
os cachorros dos vizinhos pararam de latir...
o rádio parou de tocar...
a realidade se distorceu...
o tempo parou, as horas se estenderam por anos...
e enfim, o dia morreu em silêncio.
ficou a sua imagem acinzentada jogada ao vento.

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