tedio. nada pra fazer, nada pra dizer. ninguém pra ver, ouvir, conversar. sentir. fazer alguma coisa, não, impossivel. tudo é tão quieto, parado, sem vida, sem graça.
apenas sussurros roucos e abafados cortam o som do vento lá fora, enquanto eu aqui dentro, preso, sozinho, sem nada que me entretenha nem que por miseros cinco minutos. cinco minutos, cinco horas, cinco dias, tanto faz. não há mais noção de tempo aqui, apenas o prolongamento de um instante que não parece ter fim.
dormir, sim, a unica saida plausivel para uma situação como essa. apagar, sonhar, desligar, nem que sejam só pelos miseros cinco minutos, sumir dessa confusão estatica sem fim é uma ideia mais que agradavel. cinco minutos, apagar, apagar, desviar o pensamento de um vazio mundado para um vazio dentro da mente, um vazio nos sonhos. sonhar, sim, fantasiar, imaginar, deixar levar por uma situação irreal mas tão agradavel que nos faz querer dormir para sempre. nós dois, um salão, musica lenta na vitrola, você aqui, eu dançando com um copo de absinto na mão, abraçado, colado, sentindo, é apenas um sonho, mas sonhar com você é tão bom, então pra que acordar? pra que voltar para um mundo sem graça e vazio se nos meus sonhos tenho tudo que pode me fazer feliz? por que não abolir a vida, e viver somente sonhando?
a vida as vezes é tão inerte e indiferente que parece que estamos presos num disco riscado. repetitivo, algo que nos faz querer sair desse vale de lentidão, no qual os movimentos parecem sem vida e tudo mais não faz sentido.
sim, hoje é apenas mais um dia morto no qual um garoto em colapso se vê preso, dançando por entre os véus que ao vento não balançam, e a vida parece se perder a medida que o filme mudo monocromático chamado casa vai ficando cada vez mais redundante.
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